A escola é nossa segunda casa?

Por Monique Evelle

_Quem nunca ouviu que a escola é nossa segunda casa? Afinal, passamos grande parte do tempo nela. Mas, se perguntássemos a qualquer estudante, principalmente da rede pública sobre o que ele acha da nossa “segunda casa”, com certeza ouviríamos reclamações.

_De acordo com o Ministério da Educação, a taxa de abandono escolar no Brasil atingiu 24,3% em 2012. Entre os motivos da evasão escolar estão a falta de transporte, a necessidade de ajudar nos afazeres domésticos, trabalhar e falta dinheiro para as despesas para se manter na escola. Em 2013, apenas 54,3% dos jovens tinham concluído o Ensino Médio até os 19 anos (PNAD).
_Inventamos a roda, inventamos a máquina a vapor, o carro, a televisão, o telefone e outras tecnologias. Todas essas ferramentas foram transformadas e aprimoradas. Enquanto isso a escola parou no tempo. O ensino e estrutura continuam sendo do XVIII, educadores do século XIX ou XX e estudantes do século XXI.
_Entender que o educador não possui todo conhecimento e que o estudante não é uma folha em branco, já é um bom passo para fortalecer o diálogo de uma educação ideal. Além disso, é importante compreender a funcionalidade da política educacional com as políticas de saúde, assistência, geração de emprego, etc, para diminuir as taxas de evasão escolar, principalmente dos estudantes mais vulneráveis.
_O modelo escolar atual preocupa-se exclusivamente como os conteúdos. Porém, esquece de relacionar as disciplinas e sua aplicação prática, sem desenvolver habilidades e competências com o estudantes. Apesar dessa estrutura industrial, é possível realizar ações na unidade escolar com maior autonomia.
_Na Escola Municipal Ulisses Guimarães, localizada na comunidade do Bom Jardim, em Fortaleza (CE), a Matemática é ensina de forma lúdica. A professora Priscilla Brito utiliza dinheiro de brincadeira e monta um cenário de comércio, para que os estudantes compreendam melhor as operações básicas (soma, subtração, divisão e multiplicação).
_Em Salvador, o Instituto Inspirare e a Cipó – Comunicação Interativa, com o apoio das escolas, movimentos sociais, organizações governamentais e não governamentais, estão transformando o bairro do Rio Vermelho em um bairro educador. Os estudantes das escolas do Rio Vermelho estão tendo possibilidade de aprender Matemática com um cozinheiro, debater sobre cidadania e direitos com os movimentos sociais, construir politicas públicas com os gestores locais entre outros. Essa iniciativa busca ocupar e transformar o Rio Vermelho em um Bairro-Escola.
_Esses são dois exemplos de iniciativas que correlacionam habilidades, são atrativas para os estudantes e aliam competências com conteúdos. A nossa segunda casa precisa ser acolhedora e inclusiva, ainda mais quando a escola tem o período integral. Lembre-se: educação integral sem motivação é cárcere privado.

DE OLHO NO CONGRESSO

_Em março deste ano, aconteceu uma audiência na Comissão de Educação da Câmara Federal para debater sobre Doutrinação Política e Ideológica nas escolas. Leia-se: contra a diversidade de ideais na sala de aula. Para o deputado Izalci Lucas (PSDB-DF), autor do Projeto de Doutrinação Política nas Escolas, os educadores brasileiros têm viés ideológico de esquerda e são ameaças para os estudantes. E já podemos ver o efeito desastroso de um projeto que ainda não foi votado. O professor de geografia Breno Mendes, foi demitido pela prefeitura do Rio de Janeiro por expor em redes sociais opiniões contrárias às políticas públicas de educação.
_Outra pauta antiga é o Projeto de Lei do senador Cristovam Buarque (PDT-DF) o qual sugere que os filhos de políticos estudem nas escolas da rede pública. Essa é uma estratégia para que haja maior investimento e comprometimento dos nossos representantes para garantir qualidade na educação pública.
_Apesar dos cortes na educação pública e da retirada da discussão de gênero e diversidade dos Planos Municipais de Educação, o Ministério da Educação criou um grupo de educadores para mapear experiências inovadoras. Alguns critérios foram apontados para caracterizar as boas práticas na educação, como: o uso das novas tecnologias, mediação de conflitos, ambiente educativo, acolhedor, solidário, desenvolvimento ético, afetivo, social e cultural.
_Para acompanhar se as metas do Plano Nacional de Educação (PNE) estão sendo executadas, acesse o site do Observatório do PNE (www.observatoriodopne.org.br), uma plataforma online que tem como objetivo monitorar os indicadores referentes a cada uma das 20 metas do Plano Nacional de Educação (PNE) e de suas respectivas estratégias, e oferecer análises sobre as políticas públicas educacionais já existentes e que serão implementadas ao longo dos dez anos de vigência do Plano. O Observatório é uma iniciativa de vinte organizações ligadas à educação especializadas nas diferentes etapas e modalidades de ensino.
#FICADICA

Documentário “Quando sinto que já Sei”
https://youtu.be/HX6P6P3x1Qg

O documentário “Quando sinto que já Sei” é um exemplo maravilhoso de como educação pode ser reinventada e como a escola pode ser um lugar divertido de aprendizado.

Quatro sites de organizações que trabalham com educação:

Porvir: | http://porvir.org
O Porvir é uma iniciativa de comunicação e mobilização social que promove a produção, difusão e troca de conteúdos sobre inovações educacionais, com o propósito de inspirar políticas, programas e investimentos que melhorem a qualidade da educação no Brasil

Pé Na Escola | http://penaescola.com.br
Negócio Social desenvolvido para atuar na área de educação em direitos humanos, atuando em espaços educativos para conectar pessoas com seus direitos e seu papel na sociedade. O Pé na Escola acredita que o diálogo entre Educação e Direito inspira a Cidadania e a transformação que queremos ver no mundo.

Desabafo Social | http://desabafosocial.com.br
Criado em 2011 pela soteropolitana Monique Evelle, o Desabafo Social está localizado em Salvador (BA), mas possui colaboradores jovens espalhados por treze estados brasileiros, buscando formas de criar espaços de debates, envolver escolas, comunidades e instituições para promover a cultura de direitos humanos, incentivar e estimular o engajamento de adolescentes e jovens em causas sociais e subsidiar a elaboração e criação de novas iniciativas pensadas por jovens. O blog do Desabafo Social tornou-se uma Plataforma de Aprendizagem Colaborativa onde cada usuário registrado poderá adicionar amigos, publicar no mural, criar grupos e fóruns com foco na Educação em Direitos Humanos e pela Comunicação.

Caindo no Brasil | http://caindonobrasil.com.br
O Caindo no Brasil é uma iniciativa do jornalista Caio Dib. Caio rodou o Brasil e mapeou iniciativas inovadoras de educação nas 5 regiões do país. O resultado disso foi livro Caindo no Brasil: Uma Viagem pela Diversidade da Educação.

Se compartilhar boas ideias é um ato de amor, quando as boas ideias são para inovar a educação brasileira, é importante mantermos um relacionamento sério <3

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Monique Evelle

Fundadora da rede Desabafo Social, estudante do Bacharelado Interdisciplinar em Humanidades com ênfase em Política e Gestão da Cultura na Universidade Federal da Bahia e articuladora regional da Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Comunicadores.  Em 2013 ficou entre 25 mulheres negras mais influentes da internet no Brasil, pelo site Blogueiras Negras, em março de 2014  o Desabafo Social ganhou o Prêmio Protamulheres-jovensmonique-evelle59528gonismo Juvenil e em março 2015 ficou na lista das “30 mulheres com menos de 30 para ficar de olho em 2015″, feita pela Revista Cláudia e Portal MdeMulher, da Editora Abril. Desde o início de outubro de 2014  está como orientadora de organizações e pessoas da América Latina, criando um intercâmbio de conhecimentos e auxiliando na formação de redes sustentáveis. É uma iniciativa do Assuntos del Sur, através do projeto Mucho con Poco- Líderes Innovadores de América Latina.